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A “melhor das fórmulas” de Sánchez que ninguém sabe o que é

O Podemos mudou de género ao apresentar-se nas eleições de abril a liderar a coligação Unidas Podemos (com a Esquerda Unida e o Equo). E agora a discussão gramatical prossegue, com o líder do movimento, Pablo Iglesias, a receber uma contraproposta do primeiro-ministro em funções e secretário-geral do PSOE, Pedro Sánchez. Governo de coligação, não senhor; “governo de cooperação”, sim senhor.

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“Vamos começar a trabalhar num governo de cooperação”, anunciou Iglesias no final da reunião de 80 minutos que teve com Sánchez no Parlamento. “Para nós as palavras são o menos importante: governo de cooperação, governo de coligação, cogoverno, governo conjunto, o importante são os conteúdos. Um governo plural, que seja capaz de enfrentar os grandes desafios do nosso país, que para nós passa por acabar com a precariedade laboral, em trabalhar para que haja mais justiça fiscal em Espanha e assumir os desafios do futuro relacionados com as mudanças tecnológicas e a necessária transição energética numa perspetiva ecológica”, continuou, antes de dizer que outras reuniões “mais discretas” vão realizar-se nos próximos dias, com o fito de “formar um acordo de governo progressista conjunto”.

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Subscrever Iglesias não esclareceu os jornalistas se o secretário-geral dos socialistas havia aceitado a integração de dirigentes da Unidas Podemos no futuro executivo, tendo apenas dito que por parte de Sánchez “não houve veto algum”.

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Pablo Iglesias não esconde a ambição de chegar ao governo e que deseja as pastas sociais. “O que eu quero pedir a essas pessoas que pensam que a política é inútil é uma oportunidade, apenas uma, de estar no governo durante quatro anos. E se depois desses quatro anos não conseguirmos mudar nada, não votem mais em nós”, disse num debate na TVE.

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Além deste acordo de princípio, a reunião de terça-feira teve o efeito de baixar as tensões entre as duas formações políticas. Desde as eleições gerais, o tom entre o PSOE e a Unidas Podemos aumentou devido à formulação concreta para chegarem a acordo sobre o futuro governo e para que aos 123 votos dos deputados socialistas se juntem 42 da coligação de esquerda para ajudar a viabilizar o governo de Sánchez, que precisa da maioria dos votos entre os 350 deputados.

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A Unidas Podemos, que se saiu mal nas urnas – perdeu 13 deputados, apesar de ter recebido mais meio milhão de votos e aumentado quase um ponto percentual, de 13,4% em 2016 para 14,3% -, exigia um governo de coligação, com um número de ministros proporcional aos resultados obtidos no dia 28 de abril. O PSOE opõe-se a essa opção, que é a mais desejada pelos espanhóis , e o número três do partido José Luis Ábalos, na segunda-feira, ameaçou repetir as eleições se Sánchez não conseguir apoio suficiente para governar sozinho.

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Iglesias respondeu que “a ameaça de repetição de eleições não agradou a ninguém” e lembrou que o PSOE e a Unidas Podemos podem negociar “acordos governamentais na Comunidade Valenciana, Baleares e Ilhas Canárias”, o que “aumenta as hipóteses de um governo em breve”, disse

O lastro de Lastra À pergunta que se impunha, a vice-secretária geral do PSOE, Adriana Lastra, respondeu minutos depois das declarações de Iglesias como Pedro Sánchez comunicou no Twitter: um governo de cooperação é “plural, aberto, integrador, inclusivo e representativo das diferentes sensibilidades”

“Não é algo fechado como um governo de coligação”, crê Adriana Lastra

A porta-voz dos socialistas no Parlamento explicou que na reunião entre Sánchez e Iglesias não se falou de nomes em concreto e que esta solução governativa irá permitir o apoio de outras bancadas parlamentares que de outra forma votariam contra a tomada de posse de Sánchez

Questionada se esta proposta se baseia nalguma solução governativa, como a vizinha geringonça – o acordo de incidência parlamentar entre o PS, PCP, PEV e Bloco de Esquerda -, Lastra disse que é uma “inovação” sem paralelo na Europa

Vox para o “galinheiro” PSOE e Unidas Podemos chegaram também a um acordo na simbólica questão da distribuição dos deputados no Parlamento. Os deputados do PSOE vão sentar-se mais à esquerda e do lado oposto estarão os populares e, novidade, os Cidadãos, que perdem o lugar central (e de destaque) no hemiciclo. No centro vão sentar-se os representantes da Unidas Podemos e os nacionalistas bascos do PNV (nos lugares da frente) e da ERC (atrás). Nas duas últimas filas, no que é visto pelos espanhóis como “galinheiro”, vão sentar-se os deputados do Vox, o partido de extrema-direita que se estreia no Congresso dos Deputados. Ao seu lado estarão os deputados do chamado grupo misto, deputados de seis partidos regionais

O Vox, que terá os 24 deputados remetidos para uma posição subalterna, acusou PSOE e Unidas Podemos de “sectários” que, ademais, querem “satisfazer os parceiros independentistas”

Inés Arrimadas, porta-voz do Cidadãos, não escondeu a frustração, ao dizer que a disposição dos lugares foi um “prémio à lealdade” dos nacionalistas bascos para oferecer-lhes “na secretaria o que não ganharam nas urnas”

Não dos Cidadãos e não do PP O líder do partido de centro-direita, Albert Rivera, encontrou-se também na terça-feira com Pedro Sánchez, tendo no final referido que é “obrigação constitucional” do socialista formar governo e disse que é natural que tente formá-lo com os “parceiros habituais, os populistas e nacionalistas”. Rivera disse que transmitiu ao primeiro-ministro em funções o que “toda a Espanha já sabe” e que o havia dito quando os dois se encontraram após as eleições gerais, no Palácio da Moncloa: que o Cidadãos vai votar contra a sua tomada de posse

Na ronda de encontros, Sánchez recebeu o líder do Partido Popular, Pablo Casado. Também este anunciou que vai votar contra o governo PSOE, mas que espera a aprovação da investidura de Pedro Sánchez. “Se não conseguir na primeira volta estou convencido de que a tomada de posse acontecerá à segunda”, disse Casado, que atirou as responsabilidades para os restantes partidos de esquerda. Até porque devolver a palavra aos espanhóis, através de eleições, “seria uma irresponsabilidade”, defendeu o popular