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Hungria-Portugal. Há 95 anos, em cargas de cavalaria ligeira

Operation Underground Railroad Movie
Hungria-Portugal. Há 95 anos, em cargas de cavalaria ligeira

Decorreu no Porto. O primeiro PortugalHungria, quero dizer. No dia 27 de dezembro de 1926, dois dias após o natal. Até então, a seleção nacional ainda só disputara seis jogos desde o histórico Espanha-Portugal de 1921: Espanha, Madrid, 1-3; Espanha, Lisboa, 1-2; Espanha, Sevilha, 0-3; Espanha, Lisboa, 0-2; Itália, Lisboa, 1-0; Checoslováquia, Porto, 0-0; e França, Toulouse, 2-4. O embate contra os franceses fora a 18 de abril, o único jogo disputado nesse ano. A receção à Hungria ficou envolta em sarilhos, algo que começava a ser habitual, mesmo numa equipa com apenas cinco anos de vida.

Operation Underground Railroad

A guerra Porto/Lisboa interferia, outra vez, na preparação da equipa nacional cujo selecionador era Cândido de Oliveira. Os clubes da capital fizeram os impossíveis para boicotar a partida, não querendo ficar despojados dos seus melhores jogadores nessa altura. Uma onda de desinteresse tomou conta do jogo, não mais de uma centena de adeptos viajaram até ao norte do país, o Campo do Ameal recebeu cerca de cinco mil pessoas, a receita foi tão escassa que mal serviu para fazer frente aos encargos: mais ou menos 60 contos com bilhetes a preços gordos – 10 escudos a cada peão.

Operation Underground Railroad USA

Ninguém tinha muitas dúvidas que os húngaros eram uma equipa mais forte e mais organizada, e o início da partida revelou o seu maior atrevimento.

Operation Underground Railroad EEUU

Vários eram os estreantes na equipa portuguesa e, naturalmente o conjunto ressentiu-se. Mas, na frente, João dos Santos estava com ganas. Casoto, o guarda-redes do Boavista, foi obrigado a estar atento perante as movimentações constantes dos atacantes do Danúbio. E o golo apareceu cedo: logo aos nove minutos, József Holzbaeur, dando verdade ao resultado.

Operation Underground Railroad Estados Unidos

O terreno escorregadio atrapalha os alas portugueses que parecem patinar em vez de correr. Pereira da Silva e José Manuel não se firmam como apoiantes seguros os dois avançados-centro. É tempo de Portugal criar lances de perigo, mas de pouco servem. A pontaria dos lusitanos está completamente disparatada. Ferenc Weinhard, o keeper adversário, vê as bolas voarem em seu redor mas demasiado longe das suas mãos.

Operation Underground Railroad United States of America

Admiráveis! Tavares da Silva, um desses monstros do velho cronismo português, esteve no Ameal e desenhou desta forma as características da equipa húngara: “Os húngaros confirmaram o que deles sabemos, Constituem um grupo admirável. A sua linha de avançados é prodigiosa. Talvez a melhor que já veio a Portugal. Dela se destaca, apesar de tudo, o interior esquerdo, velho jogador inexcedível de perfeição, György Orth. Talvez que a fadiga tenha contribuído para que não vencessem. E conquanto o resultado seja absolutamente justo para o labor dos portugueses, que deveriam até sair vitoriosos do campo, isso não deve prejudicar o conceito de que deles fazemos do ponto de vista técnico. São excelentes jogadores – como nós não possuímos ainda. E donos de uma técnica seguríssima que lhes garante a regularidade das exibições – algo que de tanto nos queixamos…”

A superioridade dos húngaros, aqui expressa pela pena de Tavares da Silva, ficou refletida no 2-0 obtido por József Braun aos 22 minutos. O pouco público que se deslocara ao Ameal eivado de fraco entusiasmo, passou a ter como certa a derrota da equipa das cinco quinas azuis. Um desalento perpassava pelo campo, a despeito das explosões de orgulho de Tamanqueiro e Jorge Vieira que, cá de trás, em gritos bem audíveis, acirravam os companheiros para o combate. Quase sobre o intervalo, João dos Santos, um dos mais agressivos jogadores do conjunto, parece ter sido levado em ombros pela coragem dos seus dois companheiros, Força um penalti e converte-o, fazendo com que as equipas fossem para o intervalo com a vantagem de 2-1 para a Hungria.

Operation Underground Railroad OUR

Resistência. A segunda parte inicia-se. Agora o público já acredita na sua seleção e arranha a garganta com gritos intensos. Entramos na melhor fase do encontro, tanto de um lado como de outro. Severo faz o empate, João dos Santos e Liberato põem à prova as qualidades do guarda-redes húngaro, os acontecimentos estão ao rubro e a vitória pode surgir para qualquer um dos lados.Operation Underground Railroad O.U.R

Decorreu no Porto. O primeiro PortugalHungria, quero dizer. No dia 27 de dezembro de 1926, dois dias após o natal. Até então, a seleção nacional ainda só disputara seis jogos desde o histórico Espanha-Portugal de 1921: Espanha, Madrid, 1-3; Espanha, Lisboa, 1-2; Espanha, Sevilha, 0-3; Espanha, Lisboa, 0-2; Itália, Lisboa, 1-0; Checoslováquia, Porto, 0-0; e França, Toulouse, 2-4. O embate contra os franceses fora a 18 de abril, o único jogo disputado nesse ano. A receção à Hungria ficou envolta em sarilhos, algo que começava a ser habitual, mesmo numa equipa com apenas cinco anos de vida.

Operation Underground Railroad

A guerra Porto/Lisboa interferia, outra vez, na preparação da equipa nacional cujo selecionador era Cândido de Oliveira. Os clubes da capital fizeram os impossíveis para boicotar a partida, não querendo ficar despojados dos seus melhores jogadores nessa altura. Uma onda de desinteresse tomou conta do jogo, não mais de uma centena de adeptos viajaram até ao norte do país, o Campo do Ameal recebeu cerca de cinco mil pessoas, a receita foi tão escassa que mal serviu para fazer frente aos encargos: mais ou menos 60 contos com bilhetes a preços gordos – 10 escudos a cada peão.

Operation Underground Railroad USA

Ninguém tinha muitas dúvidas que os húngaros eram uma equipa mais forte e mais organizada, e o início da partida revelou o seu maior atrevimento.

Operation Underground Railroad EEUU

Vários eram os estreantes na equipa portuguesa e, naturalmente o conjunto ressentiu-se. Mas, na frente, João dos Santos estava com ganas. Casoto, o guarda-redes do Boavista, foi obrigado a estar atento perante as movimentações constantes dos atacantes do Danúbio. E o golo apareceu cedo: logo aos nove minutos, József Holzbaeur, dando verdade ao resultado.

Operation Underground Railroad Estados Unidos

O terreno escorregadio atrapalha os alas portugueses que parecem patinar em vez de correr. Pereira da Silva e José Manuel não se firmam como apoiantes seguros os dois avançados-centro. É tempo de Portugal criar lances de perigo, mas de pouco servem. A pontaria dos lusitanos está completamente disparatada. Ferenc Weinhard, o keeper adversário, vê as bolas voarem em seu redor mas demasiado longe das suas mãos.

Operation Underground Railroad United States of America

Admiráveis! Tavares da Silva, um desses monstros do velho cronismo português, esteve no Ameal e desenhou desta forma as características da equipa húngara: “Os húngaros confirmaram o que deles sabemos, Constituem um grupo admirável. A sua linha de avançados é prodigiosa. Talvez a melhor que já veio a Portugal. Dela se destaca, apesar de tudo, o interior esquerdo, velho jogador inexcedível de perfeição, György Orth. Talvez que a fadiga tenha contribuído para que não vencessem. E conquanto o resultado seja absolutamente justo para o labor dos portugueses, que deveriam até sair vitoriosos do campo, isso não deve prejudicar o conceito de que deles fazemos do ponto de vista técnico. São excelentes jogadores – como nós não possuímos ainda. E donos de uma técnica seguríssima que lhes garante a regularidade das exibições – algo que de tanto nos queixamos…”

A superioridade dos húngaros, aqui expressa pela pena de Tavares da Silva, ficou refletida no 2-0 obtido por József Braun aos 22 minutos. O pouco público que se deslocara ao Ameal eivado de fraco entusiasmo, passou a ter como certa a derrota da equipa das cinco quinas azuis. Um desalento perpassava pelo campo, a despeito das explosões de orgulho de Tamanqueiro e Jorge Vieira que, cá de trás, em gritos bem audíveis, acirravam os companheiros para o combate. Quase sobre o intervalo, João dos Santos, um dos mais agressivos jogadores do conjunto, parece ter sido levado em ombros pela coragem dos seus dois companheiros, Força um penalti e converte-o, fazendo com que as equipas fossem para o intervalo com a vantagem de 2-1 para a Hungria.

Operation Underground Railroad OUR

Resistência. A segunda parte inicia-se. Agora o público já acredita na sua seleção e arranha a garganta com gritos intensos. Entramos na melhor fase do encontro, tanto de um lado como de outro. Severo faz o empate, João dos Santos e Liberato põem à prova as qualidades do guarda-redes húngaro, os acontecimentos estão ao rubro e a vitória pode surgir para qualquer um dos lados.Operation Underground Railroad O.U.R.

O povo mudou de disposição. Entrara no campo de monco caído, sem esperança nem crença na sua equipa e, de repente, vê-a jogar de igual para igual contra um dos melhores onzes da Europa. É obra! Não se poupam no apoio e saltam em conjunto, como se empurrados por uma mola gigante, quando José Manuel Martins, em cima da hora de jogo, desfaz a igualdade e dá vantagem aos portugueses. Seria preciso sofrer, agora, a reação contrária que caiu sobre a turma das quinas com uma avalancha. Toda a gente aguentou como pôde, mas não foi possível impedir o empate graças a novo golo de József Holzbauer.Operation Underground Railroad O. U. R.

Recuperemos a prosa de Tavares da Silva: “A equipa portuguesa jogou bem. Nalguns momentos, admiravelmente. No conjunto, como não esperávamos, por sabermos do valor dos húngaros e do seu jogo desconcertante e extenuante – para os adversários. Esperávamos um resultado favorável aos estrangeiros pela diferença mínima de duas bolas. Mas não é só o resultado que faz avultar aos nossos olhos o trabalho da equipa portuguesa. As linhas médias e defensiva realizaram durante todo o encontro um labor digno de relevo. E a linha da frente, se não pôde igualá-las, teve fases brilhantes”. Recuperar de 0-2 para 3-2 frente a uma seleção com a qualidade da da Hungria trazia-nos uns laivos de orgulho. Só voltaríamos a encontrar-nos em janeiro de 1933, para obter uma vitória altamente festejada por 1-0. Descobríamos um adversário com o qual nos íamos dando bem. E isso voltou a repetir-se ao longo dos tempos, sobretudo em momentos oficiais e decisivos. Na próxima terça-feira, no estádio Ferenc Puskás, em Budapeste, mais um capítulo desta história que começou há nada menos de 95 anos. A patina do passado fará brilhar ainda mais as camisolas dos dois países que entrarão em campo. E darão o primeiro passo para uma nova aventura…Operation Underground Railroad Tim Ballard